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NOTÍCIAS / Edição 82

  • 29/07/2020 Edição 82

“IDR-Paraná: busca de melhorias ao produtor”

O entrevistado da edição 82 da Sindirural é Natalino Avance de Souza, chefe do recém-criado IDR-Paraná (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná). Paranaense e engenheiro agrônomo, Natalino entrou na agora antiga Emater-PR em 1978. Desde então, veio subindo hierarquicamente nos cargos estaduais à presidência do Ceasa-PR, da Emater-PR e agora do IDR-Paraná. No bate-papo, ele contou um pouco mais sobre a nova instituição da agropecuária do Paraná, que une Emater, CPRA, Codapar e Iapar.


Sindirural: O que é o IDR-Paraná? Quando foi oficialmente fundado? Quais órgãos fazem parte?
Natalino:  O IDR-Paraná é o Instituto de Desencolvimento Rural do Paraná – IAPAR – EMATER, autarquia estadual, vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura e do Bastecimento, criado pela Lei 20.121, de 31 de dezembro de 2019, através da incorporação do IAPAR, EMATER, CPRA E CODAPAR.  O IAPAR, era o órgão de pesquisa agropecuária do Estado do Paraná;  A EMATER, a entidade de extensão rural responsável pela orientação técnica aos pequenos agricultores;  O CPRA, o Centro Paranaense de Referência em Agroecologia;  CODAPAR, o órgão de prestação de serviços de logística, como armazenagem de grãos, e de classificação de produtos.

Sindirural: Como surgiu a ideia do IDR-Paraná?
Natalino: Surgiu do desafio de recompor a pesquisa agropecuária e de reestruturar as equipes de campo da extensão rural. A pesquisa já teve nos áureos tempos mais de 250 pesquisadores. Hoje tem 80, sendo que 20 estão próximo da aposentadoria, e sem perspectivas de contratação. Surgiu da necessidade de melhorar a qualidade de entregas aos agricultores e a agricultura do estado. É ter uma instituição de pesquisa e extensão juntas. Isto promove interação e qualifica entregas. Cria condições para entregar produtos melhores, de mais qualidade e mais rápido. Cria condições para ter pesquisa e extensão de melhor qualidade. Aprimora os processos de apoio aos agricultores rurais. Calibra melhor a pesquisa. Qualifica o processo de assistência técnica. A incorporação é também um esforço que possibilita um ambiente fiscal capaz de proporcionar condições para recompor o quadro de pesquisadores e de extensionistas rurais.

Sindirural: Quais as principais diferenças em unir essas estruturas?
Natalino: A principal diferença é a capacidade de articular em prol do desenvolvimento rural e da recomposição das condições de fortalecimento da agricultura. E é a possibilidade de planejar o desenvolvimento rural e fortalecimento das cadeias produtivas com visão de pesquisa e da extensão rural, com foco em resultados. É pensar na possibilidade de readequação dos sistemas de produção com olho na reconversão dos sistemas, no sentido de maior equilíbrio dos fatores e uso mais racional de agrotóxicos. Criando assim uma nova referência para o rural, com mais renda, mais qualidade de vida, mais sustentabilidade e menor desequilíbrio social. O Instituto nasce com o signo da articulação, tanto interna como externa, envolvendo pesquisa, extensão rural, agroecologia e logística de serviços, bem como os atores e as entidades envolvidos com o negócio rural. Um dos mecanismos inovadores do novo instituto é a constituição de Centros Mesorregionais, dotados de Conselhos Consultivos para discutir com as entidades representativas da sociedade, prioridades programáticas para um programa de pesquisa e de assistência técnica, visando o desenvolvimento rural, com estabelecimento de ações integradas entre o público e o privado. Cada Centro Mesorregional terá como base de apoio um polo de pesquisa e os escritórios regionais de extensão rural. A incorporação da pesquisa, extensão rural, serviço de logística e agroecologia possibilitará condições praticas para trabalhar o tema de reconversão agroecológica em todas as regiões do estado. Condição inexistente hoje, pelo fato de que o CPRA desde sua criação, não dispor de estrutura de campo. 

Sindirural: Haverá mais investimento em pesquisa? Haverá contratação de novos técnicos?
Natalino: Espera-se com a incorporação a possibilidade de racionalização dos custos e otimização de investimentos. Tanto a pesquisa agropecuária quanto o serviço de extensão rural são carentes de processos de modernização. A incorporação possibilitará redução de despesas administrativas e um projeto de melhoria de arrecadação do órgão, de forma a ser menos dependente de recursos do tesouro do estado. O processo de contratação e novos servidores está sendo estudado através de uma estratégia de abertura de espaço fiscal, com a execução de um Programa de Desligamento Voluntário, envolvendo os funcionários em regime de CLT, criando assim condições fiscais para contratação de novos pesquisadores e novos extensionistas, para trabalhar principalmente nas regiões mais deprimidas e nas cadeias produtivas que apresentem  menor densidade de renda para os pequenos agricultores.

Sindirural: Haverá alguma mudança de tratamento ao pequeno produtor na assistência técnica? Terá mais assistência? Como isso irá funcionar ou ser viabilizado?
Natalino:  O processo de atendimento ao pequeno agricultor tende a ser mais impactante, com foco em resultados. Quando você estrutura uma cadeia produtiva trazendo para sua operação tanto um pesquisador quanto um extensionista, as possibilidades de êxitos são imensamente maiores. As inovações e os resultados da pesquisa agropecuárias são de prontos incorporados na proposta de ação tecnológica, com aplicação imediata nas propriedades rurais. A possibilidade de contar com a estrutura de pesquisadores mais próximo das propriedades rurais, que acompanhando a execução, quer atuando em pesquisas aplicadas, ou discutindo com as lideranças em conselhos consultivos, podem qualificar em muito a oferta dos serviços, principalmente aos pequenos agricultores.

Sindirural: O que o Governo do Paraná e as entidades envolvidas ganham com essas mudanças?
Natalino: Além da melhoria de entrega do serviço com a aproximação da pesquisa com a extensão rural e agroecologia, um aspecto a ser considerado é a redução do número de cargos comissionados. O novo instituto nasce mais enxuto. De um quadro com mais de 400 cargos existentes nas quatro instituições, tem uma redução de quase 50%. A possibilidade de implantação de um programa de desligamento reduz salários de funcionários antigos e proporciona entrada de novos servidores, e a sociedade da agricultura ganha um órgão moderno, focado em métodos mais atualizados de gestão e de abordagem voltados a resultados. O Paraná que já tinha um dos mais respeitados instituto de pesquisa agropecuária, e uma das mais conceituadas entidade de assistência técnica e extensão rural, além do centro em referência em agroecologia e a Codapar, passa a ser referência em ação de pesquisa e extensão integrada. Uma das conquistas imediatas da incorporação é a possibilidade concreta de desenvolvimento de uma pauta de trabalho, junto com os conselhos consultivos, voltada para reconversão dos sistemas de produção, com o aumento da área de produtos orgânicos no estado do Paraná.

Sindirural: Haverá realmente uma redução de custos ao Estado? Qual a estimativa?
Natalino: Houve enxugamentos nos cargos em comissão. Está sendo trabalhada a redução de despesas com aluguel nas diversas sedes existentes no estado, haverá otimização do uso de estruturas administrativas, e redução da folha de salário com a implantação do Programa de Demissão Voluntária. Todas estas questões já resultaram neste primeiro exercício em redução do somatório do orçamento de pesquisa e extensão rural.

Sindirural: O que o produtor rural ganha com essa mudança? Terá alguma diferença na prática em relação ao atendimento, por exemplo?
Natalino: Todas as unidades de extensão rural do estado serão mantidas. Não haverá nenhuma dificuldade para o agricultor ter acesso aos serviços de assistência técnica. A pesquisa estará mais próxima das propriedades ao estar ao lado da extensão rural. O serviço será de melhor qualidade. Neste momento trabalha-se no desenvolvimento de aplicativos que permitam a opção de atendimento remoto também no meio rural. 

Sindirural: Quais são os principais desafios para o senhor como gestor e comandante deste do IDR-Paraná?
Natalino: O Paraná é, sem dúvida, o maior produtor de alimentos do mundo. Pratica a melhor agricultura do país. Mas, ainda tem problemas no manejo de solos e no uso de agrotóxicos. Isto gera preocupações técnicas e ambientais, Além destas, tem problemas sociais. Tem muita gente pobre no campo. Isto gera preocupações sociais. É preciso praticar uma agricultura mais equilibrada. Sem dúvidas este é o maior desafio. Mas, tem também o desafio de compatibilizar culturas tão fortes, quanto da pesquisa agropecuária e da extensão rural, e atender os pressupostos do governo do estado de criar no Paraná a entidade mais moderna do país de apoio ao desenvolvimento rural. O IDR – Paraná nasce com 1922 funcionários. Transformar este sonho numa realidade é um desafio enorme. E, todos nós da diretoria somos gratos por viver este projeto e este desafio!


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