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NOTÍCIAS / Edição 82

  • 29/07/2020 Edição 82

Exporta, Paraná!

82,5% das exportações paranaenses são do agronegócio, que se reafirma como principal força econômica do Estado mesmo durante a pandemiaudança radical em muitos hábitos. No agronegócio, afetou drasticamente um segmento chave da pecuária: os leilões de venda de animais. Tradicionalmente realizados em recintos fechados e com grande número de pessoas, o setor foi obrigado a se reinventar para sobreviver.


Mais uma vez, o agro paranaense não decepciona o Estado e o Brasil Mesmo em tempos de pandemia, o setor se prevaleceu mais uma vez como força principal do Paraná. No primeiro semestre de 2020 as exportações paranaenses alcançaram US$ 7,99 bilhões, com o agronegócio responsável por 82,59%% deste total, ou seja, US$ 6,60 bilhões. A participação do agronegócio foi ampliada no comparativo com igual período do ano passado. As exportações do agronegócio cresceram 5,85%, enquanto as exportações dos demais setores recuou 20,29%. “Todos os anos, mostramos nossa eficiência, nossa força e nossa competitividade. Imagina como estaríamos se tivéssemos uma logística mais eficiente e mais incentivos. O agro responde a todos os estímulos e mesmo em crise mundial, se fortalece”, analisou Paulo Orso, presidente do Sindicato Rural de Cascavel. 
Para entender melhor os dados, a Sindirural procurou o economista do Sistema FAEP/SENAR, Luiz Eliezer Alves da Gama Ferreira. Ele recorda que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a pandemia em 11 de março, mas antes dessa data, diversos países já enfrentavam dificuldades com a doença, principalmente a China, primeiro epicentro da crise de saúde. “A China é um grande vetor do comércio mundial, o país compra muitos insumos de países em desenvolvimento, e depois comercializa bens manufaturados com o mundo inteiro. Em meio a pandemia, o país foi o primeiro a limitar a circulação de pessoas e mercadorias, o que afetou a logística do comércio global num primeiro momento, mas que logo depois foi normalizado. Havia o temor de que dificuldades logísticas pudessem paralisar o comércio global com consequências sobre o agro paranaense”.
No entanto, os números indicam que o movimento foi contrário, ou seja, as exportações do Paraná, principalmente do agronegócio, ganharam tração mesmo em meio à pandemia. “Os fatores que explicam este movimento são a essencialidade dos produtos que o Paraná produz e exporta, mais de 80% das exportações são de produtos alimentícios ou energético e a forte alta do dólar, a moeda estadunidense subiu 35% no primeiro semestre deste ano, com picos acima de R$ 5,60”
O dólar alto, como Luiz explica, favorece as exportações ao melhorar a competitividade dos produtos exportados pelo país. De acordo com ele a China aumentou as compras de oleaginosas, grãos e carnes para formação de estoques, já que o país vinha sofrendo também com a peste suína africana e focos de gripe aviária, doenças que reduziram a oferta interna dessas proteínas. Além disso, a China também lidava com uma “guerra comercial” com os Estados Unidos. 
Por isso, a soja brasileira foi novamente beneficiada. O complexo soja é o carro-chefe das exportações do agronegócio paranaense. “Foram US$ 3,26 bilhões no primeiro semestre desde ano, alta de 30,2% em relação a igual período de 2019. Em seguida aparecem as carnes com US$ 1,43 bilhão, queda de 4,6% em relação ao primeiro semestre do ano passado. A China foi o principal destino das exportações do agronegócio paranaense no primeiro semestre deste ano (43,32%), houve também a ampliação das compras no comparativo com o mesmo período do ano passado, mais de dez pontos percentuais”, informou.

Análise
Marcelo Garrido, economista do Deral (Departamento de Economia Rural) da Seab (Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento do Paraná), afirma que os resultados foram bem positivos, principalmente levando em conta a pandemia que o mundo está submetido: 
“Com toda essa questão de pandemia, a economia de maneira geral desacelerou. Com o dólar valorizado se beneficiou em muito as exportações do agro paranaense. Outros problemas foram amenizados por essa força do agro”, disse.  Mesmo com a forte dependência do Paraná em relação ao agro, Garrido afirma que o setor sempre comprova sua eficiência e mantêm-se o maior potencial estadual. “O agro nunca decepciona”. 
Para o secretário de Agricultura do Paraná, Norberto Ortigara, o agro sustenta o comércio exterior. Sua afirmação é embasada nos dados de que as exportações totais do Brasil perderam força, mas atingiram 101,7 bilhões de dólares no primeiro semestre ( -7%). Já as importações também caíram 5%. 
No entanto, o agro se destacou novamente. “Mas o agro aumentou suas vendas ao exterior (9,7%), atingindo 51,6 bilhões de dólares, ou seja, impressionantes 65% das vendas totais. Como as importações do agro caíram 10%, o saldo comercial foi maior. Divisas que entraram, trazendo liquidez e giro ao sistema”, analisou.                  
Segundo Ortigara, ao alcançar 6,61 bilhões de dólares, as exportações do agro paranaense representaram 12,8% das exportações do agro brasileiro.  “As vendas aceleradas do complexo soja (+28%), de açúcar (+48%), de carnes (+12%), com destaque para suína e bovina, explicam esse comportamento. Temos dificuldades decorrentes da pandemia mas o agro continua operante, ajudando alimentar mais de 1,5 bilhão de pessoas”.


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