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NOTÍCIAS / Edição 82

  • 29/07/2020 Edição 82

Ótimo momento

Clima e preço gera cenário otimista para o cereal no Paraná. Nos 28 municípios da região de Cascavel, a área plantada aumentou 13% em relação a 2019


Com poucas opções para o cultivo de inverno, o trigo ainda é uma grande aposta para os produtores rurais do Paraná. Em Cascavel, os triticultores apostaram mais uma vez no cereal, que está recheado de expectativas para a atual safra. Preço e clima devem ajudar produtores neste ano. 
Segundo informações do Deral (Departamento de Economia Rural) do Núcleo Regional da Seab (Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento) de Cascavel, nos 28 municípios que estão sua responsabilidade foram semeados 180 mil hectares de trigo. Cascavel detém um terço desta área, com 60 mil hectares. 
Comparado a 2019, a área plantada na região subiu 13%. Em 2019, os produtores plantaram 159.650 hectares. Em Cascavel, foram plantados 55 mil hectares, o que contabilizou um aumento de área no município de aproximadamente 10%. A área destinada ao trigo este ano no Paraná inteiro é de 1,09 milhão de hectares, aumento de 6% em relação à área da safra anterior.
Para este ano, segundo Jovir Esser, economista do Deral, a expectativa de colheita é de 3.350 kg por hectare, um pouco a menos dos 3.375 kg previstos anteriormente. Porém, a média de produtividade registrada em 2019 foi bem abaixo: 1.476 kg por hectare. “No entanto, na região 29 mil hectares foram perdidos pela geada. Em Cascavel, esse número foi de 22 mil hectares”, informou. 
De acordo com o engenheiro agrônomo do Deral de Curitiba, Carlos Hugo Godinho, além do aumento na área cultivada, a produtividade das lavouras também deve ser melhor nesta safra. “A expectativa é que sejam colhidas 3,5 milhões de toneladas do cereal, resultado 65% maior que o registrado na safra passada”, afirma. 

Preço
Além das boas perspectivas de produção, os triticultores paranaenses observam uma grande valorização do trigo, que atingiu patamares recordes de preço no primeiro semestre de 2020. Segundo a técnica Ana Paula Kowalski, do Departamento Técnico Econômico (DTE) do Sistema FAEP/SENAR-PR, dois fatores contribuíram para esta condição. “Além do dólar valorizado, tivemos a quebra da safra passada que deixou os estoques muito baixos”, avalia. No dia 5 de junho, a saca estava cotada em R$ 62, um recorde histórico.
Vale lembrar que o Brasil é importador de trigo. Se por um lado o real desvalorizado favorece os produtores do cereal, por outro, deve impactar os outros segmentos desta cadeia, como os moinhos, por exemplo, de forma negativa. “O Brasil importa muito trigo em dezembro e janeiro, então a alta dos preços ainda não teve impactos tão grandes”, avalia Ana Paula. Além disso, também existem reflexos da pandemia do coronavírus no setor. “O trigo é estratégico para segurança alimentar, então alguns países estão buscando muito trigo. O mundo está demandando, isso também tem impacto nos preços”, acrescenta.
Outro fator que beneficia a cultura este ano é a genética. Segundo Jonhy Michael de Oliveira Brito, supervisor comercial da Biotrigo, o produtor tem boas variedades bem adaptadas neste ano. "Essas novas cultivares trazem benefícios como melhoramento genético, maior segurança contra doenças e uma melhoria substancial na qualidade final do grão", afirma.
Numa análise do cenário atual, o analista Luiz Carlos Pacheco, da T&F Consultoria, afirma que os produtores não devem ter medo de apostar no trigo no atual cenário. O preço da saca de trigo está atualmente cotado a R$ 58. "Para o ano que vem, esse valor vai cair para R$ 49 por causa da previsão de aumento da produção do Mercosul e do Brasil, que deve chegar a 1,7 milhão de toneladas a mais.
Segundo Pacheco, o clima é o fator incontrolável da equação quando se fala em trigo, especialmente no PR, SC e RS. "Em 2019, tinhamos uma ótima expectativa, mas acabou sendo frustrada pela geada que veio na hora errada e atrapalhou os planos dos agricultores paranaenses", afirma. 

PIOR CENÁRIO...
Para Pacheco, ainda se tudo der errado neste ano, o produtor de trigo ainda vai ter lucro. No caso da geada, por exemplo, uma das hipóteses que o produtor deve considerar é deixar o trigo na lavoura como palhada, como fez o produtor Haroldo Stocker no ano passado. Segundo Pacheco, isso aumenta a produção de soja em 400kg por hectare, ou seja, cerca de 7 sacas, tornando a atividade ainda lucrativa. Haroldo, além do benefício da palhada, ainda conseguiu pagar todas as contas. "Nos outros anos o trigo tem sido uma atividade lucrativa também”, relatou Stocker. 
A outra hipótese é o produtor vender o trigo como ração. Pacheco explica que  os portos brasileiros, de Paranaguá e Rio Grande, tem capacidade para navios de 60 mil toneladas, enquanto os argentinos só suportam navios de 25 mil toneladas, tornando o preço do trigo ração brasileiro quase o mesmo preço que o trigo para consumo humano argentino, em função do prêmio.  

Produtores
Marcio Bizinotti, produtor rural e engenheiro agrônomo, plantou 20 alqueires. Segundo ele, a expectativa é boa. “Caso algum problema ocorra no caminho, pelo menos podemos contar com o benefício que o trigo trará para o solo”, disse.
O produtor rural Claudimir Vezzaro, da Linha Barro Preto, em Sede Alvorada, plantou seis alqueires. “Por enquanto está excelente. Estamos otimistas este ano”, resumiu. 
O diretor do Sindicato Rural de Cascavel, Haroldo Stocker, plantou 36 alqueires de trigo, em uma propriedade no Centralito, em Cascavel. Neste ano, foram três variedades: Duque, Sabiá e Sanhaço. “Estou esperançoso. Quero colher 120 sacas por alqueire. Só não pode vir geada”, comentou.
Lisandro Saroli Veran, diretor do sindicato, plantou 30 alqueires da variedade TBIO Toruk na Colônia Melissa, em Cascavel.  “Até agora está muito bom. É torcer para não ter geada e conseguir ter uma janela boa de colheita. No entanto, não tenho muita sorte com trigo não”, disse. Ele conta que parou de plantar o cereal em 2012, mas voltou em 2018. “Milho tem compensado bem mais. Eu costumo dizer que o trigo é loteria. É sempre uma incerteza, mesmo que as variedades e os preços tenham melhorado bastante nos últimos anos”, analisou.
Paulo Vallini, diretor secretário do Sindicato Rural de Cascavel, espera que a estiagem, que tem ocorrido desde 2019, possa ser favorável. “Para o trigo a estiagem no final do ciclo só ajuda na produtividade e qualidade. Mas tudo indica que este ano pode ser muito diferente e o produtor sair rentabilizado”, comentou.


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